Entenda o que é a internação compulsória

O Governo do Estado deu início à parceria com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para plantão especial no Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) para atendimento diferenciado aos dependentes químicos. Em casos extremos, a Justiça pode decidir pela internação compulsória do dependente. Para entender melhor o que é o programa e qual o objetivo da ação, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania preparou um guia com perguntas e respostas.


1) A internação compulsória está prevista em lei?

Sim. Quando a pessoa não quer se internar voluntariamente, pode-se recorrer às internações involuntária ou compulsória, definidas pela Lei Federal de Psiquiatria (Nº 10.216, de 2001).

§ Internação involuntária: de acordo com a lei (10.216/01), o familiar pode solicitar a internação involuntária, desde que o pedido seja feito por escrito e aceito pelo médico psiquiatra. A lei determina que, nesses casos, os responsáveis técnicos do estabelecimento de saúde têm prazo de 72 horas para informar ao Ministério Público da comarca sobre a internação e seus motivos. O objetivo é evitar a possibilidade de esse tipo de internação ser utilizado para a prática de cárcere privado.

§ Internação compulsória: neste caso não é necessária a autorização familiar. O artigo 9º da lei 10.216/01 estabelece a possibilidade da internação compulsória, sendo esta sempre determinada pelo juiz competente, depois de pedido formal, feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a sua condição psicológica e física.

2) Se já está previsto por lei, qual é a novidade no que o Governo do Estado está fazendo?

O governo criou medidas para o cumprimento mais eficiente da lei. No dia 11 de janeiro de 2013, o Estado de São Paulo viabilizou uma parceria inédita no Brasil entre o Judiciário e o Executivo, entre médicos, juízes e advogados, com o objetivo de tornar a tramitação do processo de internação compulsória (já previsto em lei) mais célere, para proteger as vidas daqueles que mais precisam. As famílias com recursos econômicos já utilizam esse mecanismo (internação involuntária) para resgatar os seus parentes das drogas. O que o Estado está fazendo, em parceria com o Judiciário, é aplicar a lei para salvar pessoas que não têm recursos e perderam totalmente os laços familiares. Essas pessoas estão abandonadas, e é obrigação do Estado tirá-las do abandono. A presença do Judiciário vai aumentar as garantias aos direitos dos dependentes químicos.

3) Quem são os parceiros do Estado e qual será a participação deles?

Foram assinados três termos de cooperação técnica: um com Tribunal de Justiça de SP para a instalação de um anexo do tribunal no CRATOD, em regime de plantão (9h às 13h, de segunda a sexta-feira), com o objetivo de atender as medidas de urgência relacionadas aos dependentes químicos em hipóteses de internação compulsória ou involuntária, com a presença inclusive de integrantes da Defensoria Pública; outro termo com o Ministério Público, com o objetivo de permitir que promotores permaneçam acompanhando o plantão do Judiciário. E um terceiro, com a OAB, para que a entidade coloque, de forma gratuita e voluntária, profissionais para fazer o atendimento e os pedidos nos casos necessários.

4) O que vai mudar agora com a parceria entre Estado e Judiciário?

Verificou-se que, se a indicação médica for pela internação compulsória, em muitos casos a demora na emissão da ordem judicial impede a equipe médica de manter o paciente no local. O processo continuará a ser iniciado pelos agentes de saúde, da mesma maneira como ocorria antes. A diferença é que, agora, representantes do Judiciário farão plantão em um equipamento médico (CRATOD). Consequentemente, a determinação judicial será mais célere. Após receber o primeiro atendimento (quando o paciente é levado de maneira voluntária ao CRATOD por um assistente social), o dependente químico será avaliado por médicos que vão oferecer o tratamento adequado. Caso a pessoa não queira ser internada, o juiz poderá determinar a internação imediata (desde que os médicos considerem que a pessoa corra risco e atestem que ela não tem domínio sobre sua condição física e psicológica).

5) Antes desta parceria entre o Estado e o Judiciário, a prefeitura já realizava internações compulsórias na cidade de São Paulo?

Sim. Dados da Secretaria Municipal de Saúde demonstram que a internação compulsória já é praticada desde que a prefeitura começou, em 2009, a Operação Centro Legal. Das cerca de 2.800 internações realizadas em equipamentos exclusivamente municipais neste período (2009/2012), a prefeitura confirma mais de 300 casos de internação compulsória (cerca de 11% do total). O processo começava com a abordagem dos agentes de saúde. Se o dependente concordasse, ele era enviado a um equipamento – no caso do município, CATS ou Complexo Prates, no caso do Estado, CRATOD –,onde médicos e uma equipe multidisciplinar decidiam qual deveria ser o processo terapêutico adotado para aquela pessoa. Em casos específicos, sempre com laudo médico, optava-se pela internação compulsória para proteger a integridade física e mental do paciente.

6) A internação compulsória será a regra a partir de agora?

Não. Casos de internação compulsória continuarão a ser exceção e não regra. A política prioritária continua sendo a internação voluntária, através do convencimento do dependente por agentes de saúde, assistentes sociais da prefeitura e integrantes da Missão Belém (ver item 16), além de outras formas de tratamento.

7) A PM terá alguma participação no processo de internação compulsória de usuários de drogas?

Não. A PM não vai recolher pessoas nas ruas para tratamento. Durante esse processo serão seguidos todos os protocolos vigentes na área de saúde e na garantia dos direitos humanos e individuais dos usuários.

8) Em caso de resistência do dependente químico, qual será o protocolo?

Nesses casos específicos, vão atuar médicos e enfermeiros treinados para essas situações.

9) Médicos especialistas em dependência química são favoráveis à internação compulsória?

Sim. Veja o que dizem alguns dos maiores especialistas do Brasil sobre o assunto:

Para Arthur Guerra, psiquiatra, professor da Faculdade de Medicina (FM) e coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Álcool e Drogas: “De forma geral, a internação involuntária é um procedimento médico realizada no mundo todo há muitos anos, que obedece a critérios super objetivos. A visão médica não vai deixar esse paciente se matar. O médico, no mundo todo, não acha que é um direito do ser humano se matar, pois entende que esse paciente está doente e tem de ser internado. Depois daquele momento de fissura e excesso, quando estiver recuperado, o paciente vai dizer: ‘Obrigado, doutor’”. http://www.reporterdiario.com.br/Noticia/381210/internacao-involuntaria-para-dependentes-quimicos-divide-opinioes/

Ronaldo Laranjeira, professor titular do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, diretor do INPAD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas) do CNPq e coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas): “Nos casos mais graves, a internação é a alternativa mais segura. O ideal seria que ninguém precisasse disso, mas a dependência química é uma doença que faz com que a pessoa perca o controle”. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI255395-15257,00-INTERNAR+A+FORCA+RESOLVE.html

Drauzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor. Foi voluntário na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) por treze anos e hoje atende na Penitenciária Feminina da Capital: “A internação compulsória é um recurso extremo, e não podemos ser ingênuos e dizer que o cara fica internado três meses e vira um cidadão acima de qualquer suspeita. Muitos vão retornar ao crack. Mas, pelo menos, eles têm uma chance”. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI255395-15257,00-INTERNAR+A+FORCA+RESOLVE.html

10) Qual a posição da população brasileira quanto à internação compulsória?

Pesquisa do Datafolha divulgada no dia 25 de janeiro de 2012 aponta que 90% dos brasileiros apoiam a internação involuntária de dependentes de crack. http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=1175

11) O tratamento feito mediante internação involuntária ou compulsória funciona?

Sim. Segundo o National Institute on Drug Abuse (EUA), uma das instituições mais respeitadas do mundo nessa questão, funciona tanto quanto o tratamento feito quando o paciente se interna voluntariamente. Na publicação Principles of Drug Addiction Treatment: A Research-Based Guide (Princípios do Tratamento do Vício em Drogas: Um Guia Baseado em Pesquisa), o instituto apresenta quais são os princípios de um tratamento eficaz. O texto diz “o tratamento não precisa ser voluntária para ser eficaz. Sanções ou incentivos impostos pela família, ambiente de trabalho ou pelo sistema judicial podem aumentar significativamente a taxa de internação e de permanência – e finalmente o sucesso das intervenções de tratamento”.http://www.drugabuse.gov/publications/principles-drug-addiction-treatment-research-based-guide-third-edition/principles-effective-treatment

12) A internação compulsória para dependentes de drogas é utilizada em outros países?

Sim. Doze estados norte-americanos, dentre eles a Califórnia, possuem leis específicas sobre a internação compulsória ou involuntária. A Flórida, por exemplo, tem o Marchman Act, aprovado em 1993. O Canadá tem legislação que permite o tratamento forçado de viciados em heroína. O Heroin Treatment Act foi aprovado na província de British Columbia em 1978. A lei foi contestada na Justiça, mas foi mantida posteriormente pela Suprema Corte. A Austrália possui legislação que permite aos juízes condenar ao tratamento compulsório dependentes de drogas que cometeram crimes. A Nova Zelândia também tem legislação que permite à Justiça ou à família internar um dependente compulsoriamente. A Suécia possui o Act on the Forced Treatment of Abusers, que permite a internação compulsória de dependentes que representem risco para si próprios ou para terceiros; a lei é utilizada principalmente para menores de idade.

13) A Organização Mundial de Saúde reconhece a internação compulsória como opção de tratamento?

Sim. No documento “Principles of Drug Dependence Treatment”, de 2008, a OMS considera que o tratamento de dependência de drogas, como qualquer procedimento médico, não deve ser forçado. Admite, porém, que “em situações de crise de alto risco para a pessoa ou outros, o tratamento compulsório deve ser determinado sob condições específicas e período especificado por lei”. http://www.unodc.org/documents/drug-treatment/UNODC-WHO-Principles-of-Drug-Dependence-Treatment-March08.pdf

14) O governo do Estado está ampliando a oferta de leitos públicos para internação, seja voluntária ou compulsória?

Sim. Atualmente a Secretaria de Estadual de Saúde mantém 691 leitos públicos para dependentes químicos, dos quais 209 foram implantados na atual gestão (aumento de 43%). Outros 488 novos leitos estão em processo de implantação e devem estar disponíveis até o final de 2014, quando o Estado contará com 1.179 leitos. O Governo de São Paulo foi o primeiro do Brasil a criar clínicas com leitos públicos para internação de dependentes, processo que começou em 2010. Todos estes leitos são financiados com recursos exclusivos do governo do Estado, sem a participação do governo federal.

15) O Governo do Estado tem ampliado a oferta de abordagem social?

Desde o dia 3 de dezembro de 2012, o trabalho de abordagem social para auxiliar os dependentes a largar as drogas está sendo realizado com o apoio de 56 agentes da Associação Missão Belém. Os agentes são pessoas que já estiveram em situação de rua e dependência química e foram reinseridos socialmente pelo trabalho da própria Missão. Até o momento mais de 400 dependentes foram retirados do centro e levados para as casas de triagem da Missão. Diariamente, de 10 a 15 pessoas têm concordado em ir para as casas de triagem. Depois de passar pelas casas de triagem e por tratamento de saúde, os usuários podem ser recebidos em moradias assistidas, onde se iniciará a reinserção social. Nesta etapa, o processo conta com atividades de educação, trabalho, lazer, esporte e cultura, além de incentivo para o retorno ao convívio familiar.

Do Portal do Governo do Estado e da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania

http://www.saopaulo.sp.gov.br/

Os adolescentes e as Drogas

No consultório, os pais de adolescentes e de jovens, de ambos os sexos, me perguntam quais foram as razões que levaram seus filhos a experimentar drogas, a repetir a experiência inicial, e as usarem até mesmo se tornarem dependentes químicos. Nunca lhes faltou carinho, amor e coisas materiais. Aparecem culpas de pai e de mãe, alguns acreditam que erraram na educação, ou foram frouxos ou rígidos demais; outros casais se separaram quando os filhos ainda eram pequenos, outros vivem juntos para manter aparências, outros acreditam que, por se amarem demais, não tiveram tempo para amar os filhos. Há muitos também que dedicaram todo o seu tempo para ganhar dinheiro e oferecer tudo material que a família precisou. Outros se culpam por terem deixado as crianças sob os cuidados de babás, empregadas ou das avós e de tias solteironas.
Quem deles tem razão, quem é o mais culpado? Se pudéssemos fazer uma gincana dos mais culpados, todos partiriam com os mesmos pontos iniciais. A conclusão óbvia é que há dependentes de todos os tipos de pais, de todos os tipos de famílias, de todas as raças e religiões, de todos os modelos de educação. As drogas são bastante sociais e democráticas, pois unem pela tristeza, ricos e pobres, árabes e judeus, machões e homossexuais, democratas e comunistas.

Os adolescentes e os jovens sempre me confessam que começaram a usar drogas nas escolas com os colegas de classe. Inicialmente o fizeram por curiosidade e por um grande impulso que sempre os acompanhou. A condição primeira que almejam é pertencer ao grupo dos bagunceiros da sala, aqueles lá do fundo da classe, da fila do lado das janelas e que não prestam atenção em nada. Brigam com os educadores, com os diretores, com os funcionários da escola, e quase sempre seus pais dão razão e apoio às suas reclamações e lamúrias, achando que estão sendo perseguidos por serem vivos e espertos demais para a escola.

A segunda condição que preenchem é a de querer pertencer ao grupo dos nóias da escola, os que não entram nas aulas, ficam perambulando pelos bares e lojas de jogos de computadores e que, na grande maioria, já experimentaram drogas. Começaram com a cerveja nos botecos, fumam cigarros na frente dos pais, já fizeram uma incursão pela maconha e gostaram dos seus efeitos, namoram a cocaína e o mesclado. A obtenção das drogas lhes é muito fácil e vendê-las aos novos noinhas traz, além de alguns lucros, a garantia para as drogas de amanhã, fato muito importante para quem pretende se firmar no mundo das drogas.

Os noinhas começam a usar drogas ilícitas depois de terem bebido nas redondezas da escola, nas baladas, nas discotecas, nas festas nas casas dos colegas, com o beneplácito dos pais dos anfitriões, e o primeiro uso de drogas, normalmente a maconha, é apenas uma questão de tempo. Há uma grande tendência no Brasil a considerar-se o álcool como algo absolutamente necessário para desinibir os jovens, e que não faz mal, desde que utilizado com moderação. As grandes cervejarias incitam a todos a usar a droga que produzem com moderação. Mas que jovem ou adolescente toma álcool com moderação, caso esteja longe de sua família e na companhia de outros jovens iguais a ele, e tão impulsivos e competitivos como ele mesmo?

Mas quem mesmo é o noinha? É, quase sempre, um adolescente agitado, irritado, pavio curto, desatento, cabeça dura, impulsivo, até pode ser inteligente, mas vai mal na escola, empurra tudo com a barriga, tem baixa tolerância ao não e às frustrações, é do contra, gosta de aparecer. Pode ser ansioso e até um pouco depressivo. Quando criança preenchia a maioria dos critérios de Déficit de Atenção, Hiperatividade e Impulsividade. Não que seja necessariamente portador de TDAH, ou seja, do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas é que as características dos portadores do TDAH jovens e adolescentes são muito parecidas com aquelas dos portadores do Transtorno Bipolar e do Transtorno de Humor Depressivo.

Como conclusão, a grande maioria dos usuários de drogas em potencial, sofre de comorbidades psiquiátricas, na maioria das vezes não diagnosticada, e que perturbam a vida do jovem e do adolescente de maneira muito significativa e importante.

A maconha lhe cai bem, pois acalma uma impulsividade que nunca o liberta, possui também a propriedade de torná-lo calmo, zen, reflexivo, com os sentidos bastante aguçados. Ele até acredita ter ficado mais vivo e esperto do que era antes que não usava a droga. A cocaína ainda mete medo em toda a gangue. O noinha se declara inimigo das drogas artificiais, com exceção do ecstasy. Esta droga o atrai, é a droga das baladas, dá um tremendo pique a quem a usa. Ora, esquecemos também das bombas da academia, mas estas foram “receitadas” pelo professor do irmão do amigo, lá da academia. Este professor é de confiança. É usá-la por dois meses e ficar bombado, como as gatas gostam. Não podemos também deixar de citar os remédios que algumas vezes rouba da mãe, aquelas pílulas de dormir, que o médico dela receitou para serem tomadas quando briga com o pai, ou quando se estressa com ele. São os benzodiazepínicos, medicamentos calmantes, entre os quais se destacam o Lorax, o Lexotan, e que, se tomados juntos com o álcool, dão muito barato.

Uma noite, alto em álcool, cerveja ou uísque, subtraído lá do bar de casa. Brigado com os pais e com a namorada, chapado de maconha, aquela três por um, a forte, enriquecida com haxixe paraguaio, o colega nóia mais antigo oferece uma carreira de cocaína da boa e grátis. Aparece o medo de se viciar, como os colegas que já se viciaram, mas não dá para resistir, a impulsividade fala mais alto e a carreirinha é cheirada. O noinha se sente o máximo, poderoso, senhor de si, conselheiro de Deus, e, ao mesmo tempo, calmo e até concentrado, do jeito que ele sempre gostou de se sentir.

A repetição do ato insano é questão de tempo, e este tempo é amanhã. São dez, ou vinte carreirinhas cheiradas com prazer e volúpia, e a dependência química acabou de se instalar, ganhando um novo cliente. Agora a maconha é coisa do passado, ela só será usada quando não houver cocaína, ou farinha, na gíria dos nóias. O álcool será usado para turbinar ou acalmar os efeitos do uso da farinha. A nova rainha agora é a cocaína, e com ela será gasto o dinheiro da mesada, da venda da guitarra, dos patins, do som, do casaco de couro, até da venda do querido e amado skate.

Faltando dinheiro, praticará pequenos roubos em casa, de onde roubará joias, cheques, pequenas somas em dinheiro. Depois assaltará velhos e donas de casa, entrará no tráfico de drogas, mas pouco a pouco, com a finalidade de obter mais farinha, para o seu uso próprio, que cada vez vai se tornando maior e maior. O grande desafio será garantir a droga de hoje, pois a sensação de não ter a companhia da amiga farinha é das mais desagradáveis, e, só de pensar, já entra em síndrome de abstinência ou bode, na gíria dos noias.

Outro dia, mais ou menos uns seis meses depois, alguém vai lhe oferecer uma pedra de crack, outra droga que ele havia jurado nunca usar, pois esta vicia demais e leva o nóia ao vício incurável. Justo nesse dia, ele está sem farinha, e com vontade de usar. A pedra lhe é de uma atração fatal, e decide que vai usar só uma, só uminha. O que ele não sabe é que a pedra é de efeito avassalador, traz grande prazer, como ele nunca sentiu antes, nem com a querida e amada cocaína. Só que uma pedra não satisfaz, é preciso usar várias; dez, vinte, trinta num só dia. Não se come mais, não se faz mais sexo, não se lembra mais da namorada, não se tem mais nem ânimo para roubar ou traficar. O nóia do crack atingiu o máximo valor da escala dos noias.

Esta pequena história é a história de todos os que começaram com características de desatenção, hiperatividade e impulsividade, beberam álcool com os colegas, fumaram cigarros no grupo, experimentaram e gostaram da maconha com os colegas de escola, caíram e afundaram na cocaína, e se desintegraram no crack.

Neste cenário, onde está a culpa dos pais casados, descasados, frouxos ou rígidos demais, japoneses, judeus, brancos, negros ou brasileiros como todos nós? Por experiência adquirida em consultório, em milhares de horas de terapia com adolescentes, jovens, moços e adultos usuários de drogas, afirmo que as drogas entraram em suas vidas pelas mesmas portas, aquelas da curiosidade, da impulsividade, e do não saber dizer não.

Vejo culpa nos pais que não querem ver que seus filhos estão usando drogas, que negam ou minimizam o uso de drogas dos filhos, que acreditam que é só coisa de adolescentes, que passará com o tempo. Sei que para muitos, o tempo de reação é fundamental, pois se perdem milhares de filhos queridos por atraso na detecção e no ataque à dependência química, que flertou, namorou, se instalou e progride a passos gigantescos na destruição da vida de nossos filhos e de entes queridos.

Quando um pai descobre que seu filho usa drogas, a primeira coisa que ele diz aos pais é que só usa maconha, e o faz somente nos fins de semanas. Em metade dos casos, o adolescente ou o jovem já usou cocaína, ecstasy, bombas, e até crack, na forma de mesclado. Já apresentou sintomas psicóticos, já teve sérias alucinações, já esteve em favelas comprando drogas, já se drogou com marginais.

Não há milagre nos tratamentos da dependência química, o que há é um trabalho sério, a ser entregue a profissionais também sérios, que vão gerenciar um tratamento multidisciplinar, com tratamento médico para procurar acertar o biológico do dependente, somado a tratamentos psicológicos e sociais. Há que se ter muito cuidado de não entregar o filho nas mãos de aventureiros, que se dizem especialistas, e visam apenas tirar dinheiro dos pais, fragilizados pelos dramas que vivem. Só se interna dependente químico que preencha condições de internação, e esta internação, mesmo se feita em clínicas especializadas e de boas condições de tratamento, não garante que o dependente vá parar com o uso de drogas após internação.

Antes de tratar o dependente químico, procure bons profissionais, solicite um diagnóstico do problema do jovem, peça ao profissional, se realmente for necessário internar o paciente, que lhe indique boas clínicas ou comunidades que tratem do doente com carinho, rigidez e eficiência. Visite a clínica ou comunidade, confira seus últimos resultados, sua hotelaria, observe o tipo de tratamento, e, sobretudo, se utilizam tratamentos “doze passos”.

            Serenidade é o mais importante para todos os que se preocupam com a recuperação do dependente, há boas técnicas que, se bem utilizadas, trazem excelentes resultados na solução do problema de drogas na família.

O problema das drogas na sociedade em que vivemos!

O século XX viveu em guerra. Todas os habitantes da Terra sejam da Europa, da Ásia, das Américas, da pobre África  sofreram demais até os anos 70; foram muitos anos de dor, de miséria e de privações. Duas guerras mundiais, a Coréia, o Vietnam, as guerras de libertação dos países latino-americanos, dos países africanos. O nazismo, o fascismo, o comunismo, o capitalismo selvagem. Foi muito sofrimento para todos, e, ao que tudo indica, já há algum tempo, resolveu-se decretar o fim do sofrimento para todos.

Para cada dor descobriu-se um novo medicamento que a aplaca, que a reduz quase a zero; o bebê faz uma caretinha de dor de barriga e lá vai a mãe buscar-lhe um remedinho para que não sofra mais. O irmãozinho está com 37ºC e a mamãe vai lhe dar um antibiótico, aquele mesmo que a amiga deu a seu filhinho e o mesmo sarou.

Sofrer é coisa de nossos antepassados, hoje todos  aprendemos que sofrer é um pecado capital. Então se sofrer é pecado, como vamos lidar com a dor das perdas que sofremos a cada dia? Como vamos lidar com nossos fracassos na escola, no emprego, com a família desestruturada?

Para cada fracasso há uma solução muito fácil à disposição de todos: as drogas. Não é verdade que elas vieram a fazer parte de nosso dia-a-dia há pouco tempo, ao contrário, elas existem desde que o mundo é mundo. No Egito Antigo, em Roma, na Grécia, nas civilizações asiáticas, sempre existiram o álcool, as poções mágicas, o ópio, a cannabis. Nas Américas pré-colombianas, seus habitantes já se valiam do tabaco, de mascar folhas de coca, de usar o extrato do cacto peyote, da mescalina e de outras plantas alucinógenas, todos muito utilizados em rituais religiosos ou de iniciação dos novos bravos guerreiros.

As drogas são antigas, mas seu uso massivo é muito recente. A grande explosão de seu consumo data do início da matança do Vietnam, quando os jovens começaram a dizer não às guerras e os combatentes americanos se drogavam para poderem ganhar coragem e lutar nas selvas úmidas daquele lugar distante. Ao contrário de seus pais que lutaram na Europa contra as forças do mal de Hitler e de Mussolini, de cara limpa, pois acreditavam que seus esforços e mesmo a morte serviriam para manter a American Way of Life, e tudo o mais que sempre cultivaram. O festival de Woodstock foi o detonador do sexo livre e do uso da maconha. A pílula anticoncepcional garantia o sexo livre, as drogas não precisavam de freio; acreditava-se que se poderia parar com o uso, tão logo quando se quisesse. Desconhecia-se a dependência química, fato até hoje ainda pouco reconhecido pelos usuários e dependentes químicos, que acreditam poder parar de usar drogas quando bem entenderem.

Mas se as drogas estão aí à disposição de todos, então porque elas trazem tanto medo a quase todos nós? O principal problema é que se confunde uso de drogas com dependência; esta é a grande incógnita da equação do uso. Será que todos que usam drogas vão chegar à dependência? É lógico que não, pois todos aqueles que bebem uma cerveja não vão ficar alcoolista para o resto de suas vidas, mas o que há de verdade é que não se sabe quem será o alcoolista de amanhã, quem será o premiado.

A mesma coisa pode-se falar daqueles que usam maconha, cocaína e outras drogas. A maconha parece criar dependência química em 10% e a cocaína de 30 a 40% de seus usuários abusivos. Em números globais, segundo Kaplan, 37% da população norte-americana declarou haver usado uma droga ilícita, pelo menos uma vez em suas vidas, 13% havia usado substâncias ilícitas no ano anterior, e 6% havia usado no mês anterior ao levantamento. Do mesmo modo, 51% da população haviam usado álcool no mês anterior à pesquisa, 27% havia usado tabaco no mês anterior, e, finalmente, 5% eram usuários de maconha, 1,6% de psicofármacos e 0,9% de cocaína e menos de 1% era usuário de outras substâncias ilícitas como alucinógenos, inalantes e heroína.

Quanto ao álcool, 3 a 5% das mulheres e 10% dos homens americanos já reuniram critérios para o diagnóstico de dependência de álcool, pelo menos uma vez em suas vidas. Para completar o quadro, estima-se em 22% o número de americanos, tanto homens como mulheres, que fumam.

O que se deve saber para internar um dependente químico!

A internação de um familiar com problemas de dependência química é um fato que pode ser decisivo na recuperação do dependente e, portanto, os responsáveis da internação devem conhecer quais itens pesquisar junto ao estabelecimento para a tomada da decisão da internação.
Lembrem que há clínicas e comunidades sérias e outras nem tanto, as quais visam apenas ganhar dinheiro com a desgraça alheia.

Não interne seu familiar se informando sobre o estabelecimento pela internet. Lá tudo é bonito e funciona otimamente. Na prática pode ser diferente. Vá até o estabelecimento e comprove tudo pessoalmente

Assim, abaixo colocamos algumas ideias de perguntas para serem discutidas com os responsáveis da clinica ou da comunidade que está sendo escolhida.

Vinte principais perguntas sobre internação em clínica ou comunidade de recuperação de dependentes químicos

Quais são os critérios que o estabelecimento utiliza para internação de um paciente? Existem tempos diferentes de internação para diferentes usos de drogas, tipo álcool, cocaína, crack, cannabis?

Há quanto tempo o estabelecimento existe e qual é o currículo dos seus dirigentes.

Quais os tipos de contratos de internação, de pagamentos, de terapias, de consultas médicas, de medicamentos. Leia tudo muito atentamente. Não assine o que não entender muito bem. Exija regras claras sobre tudo o que está escrito no contrato. Tenha extremo cuidado para não cair em armadilhas.

Há internações feitas contra a vontade do paciente? (chamadas de internação involuntária). O estabelecimento possui ou orienta sobre o resgate do paciente?
Há aulas ou cultos ligados à alguma religião? O que acontece se o interno não for adepto à essa religião?
O estabelecimento possui em seus quadros psiquiatra, médico generalista, psicólogos que efetivamente trabalham com os pacientes? Há unidade de desintoxicação para dependentes com problemas de sintomas de abstinência? È feita com o uso de medicamentos e sob supervisão de médico?
Quantos pacientes ficam no mesmo quarto? Quantos pacientes estão em tratamento no estabelecimento?
O estabelecimento segue o Programa dos Doze Passos? Se não seguir este programa não interne seu familiar nesse estabelecimento.
Qual é a opinião dos responsáveis do estabelecimento sobre o uso de medicamentos no tratamento dos pacientes? Lembre que cerca de 80% dos dependentes químicos possuem comorbidades psiquiátricas e necessitam de medicamentos psiquiátricos.
Qual é o tempo médio de internação para cada tipo de interno?
Quais tipos de pacientes estão internados no estabelecimento?\Há pacientes esquizofrênicos internados? Há moradores de rua? Há recuperandos de estabelecimentos penais?
Qual é o índice de sucesso que o estabelecimento obtém com seus pacientes? Pegue nomes, telefones e informações de dependentes que fizeram tratamento no estabelecimento e entre em contato com os mesmos para informações.
Qual é o programa de visitas aos internos? Idem para telefonemas e informações semanais.
Qual é o suporte dado pelo estabelecimento aos familiares durante a internação?
Qual é o suporte dado pelo estabelecimento ao paciente após o tempo de tratamento efetuado? E aos familiares?
Como é feita a ressocialização dos internos? É feita em casa? Depois de quanto tempo de internação?
O que é recomendado ao interno quando da sua saída. Recomendam o N.A. (Narcóticos Anônimos), 90 dias e 90 reuniões? Tratamentos psicológico e psiquiátrico? Retornos periódicos ao estabelecimento?
Como é tratado o paciente que recai após o tratamento?
Quanto tempo fica internado o paciente que recai? Quais são as condições de tempo e de custos em caso de reinternação.
Na opinião do estabelecimento o que realmente funciona na vida pós-tratamento da internação? Como deve ser feita a reintegração do dependente à sociedade após o tratamento? Como fazer para diminuir ou anular o estigma de pós-internação?

Novidades e avanço no tratamento de dependentes químicos

Já imaginou o tratamento em busca do fim da dependência química partir do uso de ímãs?

Existe uma técnica chamada optogenética, criada em 2005, onde mistura a biologia molecular e a estimulação ótica para saber como de fato trabalha os nossos circuitos celebrais, através de estudos e experimentos, notou-se que ratos de laboratório dependentes da cocaína, tiveram menos apreço pela droga quando submetidos ao tratamento onde proteínas sensíveis à luz eram introduzidas em seus cérebros, com isso um feixe luminoso estimulando o córtex pré-frontal, ajudavam a inibir a incontrolável necessidade da droga.

Até então a experiência se valeu somente nos roedores, mas para os cientistas existe uma evidência de que com a estimulação magnética transcraniana, como esta sendo chamada a técnica, é possível chegar ao estágio de os humanos serem beneficiados com tal descoberta, para tratamento de dependentes químicos, e em ajuda a tratamentos de algumas doenças na qual o fatos das correntes cerebrais tenham atuação.

Antonello Bonci é o cientista responsável pelo estudo que envolve os roedores e o corpo de pesquisadores do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA, e de acordo com Antonello, as pesquisas neste campo se intensificarão e acredita que dentro de alguns anos, o tratamento com uso de ímãs e induções eletromagnéticas, serão aceitos pela comunidade médica e pela sociedade.

UNIAD - unidade de pesquisas de álcool e drogas

Histórico

A Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas (UNIAD) foi fundada em 1994 pelo Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e John Dunn, recém-chegados da Inglaterra.

A criação contou, na época, com o apoio do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP.

Inicialmente (1994-1996) funcionou dentro do Complexo Hospital São Paulo, com o objetivo de atender funcionários dependentes.

A partir de novembro de 1996, ganhou sede própria, universalizou seu atendimento, iniciou suas atividades acadêmicas e parcerias com o setor público e da sociedade civil, sendo a UCAD - Jardim Ângela a iniciativa pioneira.

O desenvolvimento destas atividades lhe proporcionou autonomia progressiva, concretizada em ações como: criação de linhas pesquisa financiadas pela FAPESP, ampliação do repertório de cursos oferecidos, parceria com Centro de Estudos do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP.

Tais ações possibilitaram a captação de recursos e culminaram na aquisição de uma nova casa, que foi anexada à sede inicial, em março de 2002.

A UNIAD se transformou em centro de excelência em ensino, pesquisa, prevenção e tratamento do uso de indevido de álcool, tabaco e outras drogas.

A equipe do serviço quintuplicou, programas especiais de prevenção e atendimento foram criados, o know-how de ensino é um dos melhores do país, mais de vinte linhas de pesquisa foram ou estão sendo implementadas.

Uma referência nacional na área dos problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas.

http://www.uniad.org.br/

GREA - Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas

Apresentação

Sediado no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o GREA - Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, vem desenvolvendo trabalhos na área de pesquisa, ensino, assistência e prevenção de álcool, tabaco e outras drogas desde 1981.

Seu método se caracteriza por uma abordagem multidisciplinar, com equipe formada por psiquiatras, psicólogos, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo. O grupo é considerado hoje como Centro de Excelência para Tratamento e Prevenção de drogas, pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - SENAD.

Missão
O GREA tem a missão de fornecer soluções viáveis para problemas de saúde relacionados ao uso indevido de drogas, para usuários e familiares, comunidade acadêmica, instituições governamentais, de ensino, empresas e demais interessados na área, atendendo suas necessidades e excedendo suas expectativas através do desenvolvimento de pesquisas, de oferta de informações, cursos, programas de prevenção, tratamento e consultoria, para ser o Centro de Referência no Brasil em distúrbios de saúde por uso indevido de álcool e drogas.

http://www.grea.org.br/grea-apresentacao.php

Recuperação

Tratamento Médicos e Psicológicos

Os jovens em geral são rebeldes às clássicas psicoterapias, mas quando usam drogas as resistências pioram e acabam criando verdadeiras batalhas em casa para não ir às consultas. As elegações mais comuns são, entre outras:
"Não sou louco para ir a um psiquiatra, os loucos são vocês",
"Não sou viciado. Paro quando eu quiser", "Vão gastar dinheiro à toa!"
Quando há comprometimento psicológico ou físico, a consulta especializada se faz necessária. Cabe ao profissional - médico, psiquiatra, psicólogo- especializado fazer um bom diagnóstico e estabelecer um procedimento adequado. Os especialistas estão mais capacitados a utilizar, se necessário, medicamentos específicos. Há muito progresso no campo medicamentoso terapêutico. Novidades surgem a toda hora, entretanto a validade deverá ser confirmada pelos profissionais escolhidos.

Só internação não resolve
Em casos graves, quando o usuário está muito comprometido, a internação hospitalar é necessária e fundamental para dar início à recuperação. Nesse sentido, os hospitais funcionam bem.
Depois da alta, o apoio de grupos de auto-ajuda é excelente.
Os "padrinhos" que adotam um novo usuário cuidam dele como se fossem um filho. A única obrigação desse "filho" é ligar para o "padrinho" quando a vontade de usar a droga começar a ser despertada. É a força da coletividade agindo sobre o indivíduo necessitado.
Não há psicoterapias nem internações que garantam uma proteção tão grande e tão empenhada quanto a que esses grupos oferecem. E, se houver, pode se tornar inviável para a maioria da população, pelo seu alto custo.
(Salvar o Filho Drogado - Dr. Flávio Rotman - 2ª edição - Editora Record)
As “Sete regras básicas para interrupção do consumo de cocaína” (Washton, 1989) são válidas para dependentes de outras drogas e/ou álcool, e devem ser extensivamente discutidas com os pacientes:

1 - O momento de parar é agora
Uma das táticas mais usadas pelos dependentes e abusadores de álcool e/ou drogas para evitar ingressar em tratamento é a procrastinação (“deixar para mais tarde ou para depois”, adiamento indefinido que colabora para o aumento das conseqüências derivadas do consumo). A frase “Eu vou parar amanhã” significa exclusivamente que o indivíduo não tem nenhuma intenção atual de interromper o consumo.

2 - Deve-se parar o consumo de uma vez
Reduzir o consumo de drogas e álcool é uma tarefa ingrata e infrutífera. Cada episódio de consumo de coca aumenta o desejo por mais cocaína e assim o processo de recuperação acaba sempre adiado.

3 - Parar todas as drogas de abuso, incluindo álcool e maconha
Esta é uma das regras mais difíceis para o dependente de cocaína aceitar. O indivíduo tende a focalizar todas as suas dificuldades por exemplo na cocaína, desprezando a participação das outras substâncias no seu padrão de consumo. O consumo de álcool ou de maconha freqüentemente representa o primeiro passo para uma recaída no consumo da própria cocaína. Além desse fato, o consumo de qualquer substância evoca as memórias do consumo da droga principal consumida, desencadeando “fissuras” intensas. Ao consumir outra droga, o indivíduo terá menor capacidade de resistir a tais “fissuras”, recorrendo ao consumo.

4 - Mudar o estilo de vida
Os dependentes de drogas não podem manter os relacionamentos com antigos companheiros de consumo, não podem ir aos bares e outros ambientes onde costumavam encontrar esses colegas, pois o consumo de substâncias psicoativas (drogas e/ou álcool) é a atividade central dessas atividades. O indivíduo, nessas ocasiões, volta a sentir desejo intenso, como uma necessidade de consumir, não conseguindo resistir à droga. Esta é a principal razão de recaídas, pelo menos nos pacientes em tratamento.

5 - Sempre que possível evitar situações, pessoas e ambiente que causem fissuras
É importante antecipar estas situações em tratamento antes de se encontrar nas situações acima descritas, para que o paciente possa lidar adequadamente e evite o uso. Os dependentes em tratamento nunca devem testar-se, para saber “como estão indo no tratamento”. Este fenômeno é muito visto entre os pacientes, que acreditam que “passando no teste” estarão provando que voltaram a conquistar o controle sobre a droga e que “jamais irão consumir novamente”. Infelizmente nada poderia ser mais falso que isto. Mesmo passando no “teste” o paciente estará mais próximo de uma recaída, por ter se aproximado ao ambiente de consumo e, provavelmente, por excesso de autoconfiança.

6 - Procurar outras recompensas (fontes de prazer)
Durante a trajetória da dependência os indivíduos costumam afastar-se de praticamente todas as formas de lazer que não se encontram associadas diretamente ao consumo.Freqüentemente abandonam hobbies, afastam-se de pessoas que não usam, param de exercitar-se; com a evolução da dependência mesmo o interesse no sexo reduz muito, e a vida torna-se escassa de prazeres não quimicamente induzidos. O aprendizado de como voltar a estar em sintonia com o mundo “careta” é uma das tarefas mais difíceis da recuperação. Alguns indivíduos chegam a relatar que “desaprenderam a falar” sem o efeito das drogas.

7 - Cuidados pessoais: aparência, alimentação, exercício etc.
A cocaína, por exemplo, é um potente inibidor do apetite, de forma que usuários crônicos tendem a apresentar deficiências de diversos nutrientes e vitaminas. Alguns indivíduos dependentes de álcool e/ou drogas ingressam no tratamento realmente depauperados fisicamente.Da mesma forma, o condicionamento físico do paciente costuma ser negligenciado, indicando a inclusão de exercícios físicos na recuperação do paciente. O exercício pode, ainda, auxiliar a controlar ansiedade do indivíduo, facilitando a manutenção da abstinência, e produz sensação de bem-estar pela liberação de substâncias (endorfinas), que podem resultar em redução do desejo pelo consumo.

Fases do tratamento de abuso e dependência de álcool e drogas

- Desintoxicação ou Promoção da abstinência
Fase de abstinência sob supervisão médica dos efeitos do consumo de álcool ou outras drogas. Fisiologicamente esta fase dura poucos dias, porém a vontade de consumo pode persistir por meses. O uso de medicações pode reduzir o desconforto dos usuários ou mesmo minimizar as complicações médicas. A desintoxicação estabiliza o paciente, permitindo que ele ingresse na próxima fase do tratamento. Porém a desintoxicação sozinha tem mínimo impacto na dependência

- Reabilitação
É a fase do tratamento em que os paciente aprendem como modificar seu comportamento para manter a abstinência. Inúmeras modalidades terapêuticas podem (e devem) ser utilizadas para esta finalidade – aconselhamento individual e familiar, aprendizado sobre dependência e sobre as substâncias que consome, psicoterapia individual e familiar, medicações contra as vontades de consumo que o indivíduo apresenta, treinamento social e vocacional, e outros processos são integrantes desta fase. Grupos de mútua-ajuda devem sempre ser incluídos no processo de reabilitação

- Cuidados continuados
Muitos dos pacientes dependentes devem se manter em tratamento por um período longo em suas vidas. Esta fase é composta de propostas para a manutenção do estado de sobriedade frente às dificuldades de suas vidas. Participação em grupos de mútua-ajuda é um dos mais conhecidos meios de manutenção dos benefícios conseguidos em um tratamento. Outras possibilidades para esta fase são oferecidas pelas comunidades terapêuticas. Elas oferecem um ambiente bem estruturado para indivíduos que não disponham destes recursos em sua vida. As internações nestas instituições são freqüentemente longas, possibilitando uma estruturação da vida do indivíduo antes dele retornar ao seu ambiente de vida. Todas as modalidades oferecem suporte moral e encorajamento.

- Prevenção de recaídas
Estratégias que podem ser aplicadas conjuntamente ou logo após o tratamento primário (desintoxicação ou reabilitação). Em geral estas estratégias têm o objetivo de antecipar (e lidar) com as situações em que os pacientes terão possibilidade de recair, ajudando-os a adquirir instrumentos eficazes para evitar uma recaída, também modificando seu estilo de vida. Assim sendo são efetivas na redução da exposição dos indivíduos às situações de risco, fortalecendo suas habilidades de evitar uma recaída.
Fonte: GREA - Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas

As regras do tratamento - Passo a passo as normas impostas pela Anvisa para o funcionamento das comunidades terapêuticas

Como deve ser escolhida a instituição que cuidará do tratamento da dependência de drogas de um familiar ou de um amigo próximo? Essa é uma pergunta muitas vezes presente nas consultas feitas à Abrafam (Associação Brasileira de Apoio aos Familiares de Droga-dependentes) - mas para a qual não existe uma resposta única. Em primeiro lugar, porque não existe tratamento que sirva para todos. Em qualquer área da saúde, cada indivíduo apresenta necessidades diferentes e reações diferentes às mais variadas terapias. Assim, não seria possível compor um "guia de tratamento de drogadependentes". E, certamente, se existisse um, não haveria tantos dependentes em apuros...
No entanto, algumas orientações básicas são imprescindíveis. A primeira delas é verificar se, no mínimo, a lei está sendo cumprida. O tratamento da drogadição pode ser realizado das mais diferentes formas: em regime de ambulatório, domiciliar ou de internamento, sendo que esse último ainda subdivide-se entre vários tipos de serviços prestados por diferentes instituições: clínicas, hospitais, comunidades terapêuticas. E, com relação às comunidades terapêuticas, a legislação existe para defender o paciente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão do Ministério da Saúde, publicou, em maio, a Resolução número 101, preparada por membros de diferentes áreas, que trata do assunto. Ali estão descritas regras de funcionamento que devem ser do conhecimento de qualquer pessoa internada ou que tenha providenciado o internamento de alguém, pois deslizes ou claros exemplos de negligência podem passar despercebidos por pura falta de informação. Assim, para apoiar a família nesse universo tão grande de comunidades espalhadas por todo o país, acompanhe este estudo e confira o texto integral da Resolução a seguir.

Para que serve
A Resolução 101, de 30 de maio de 2001, segundo Gonçalo Vecina Neto, que a assina, vem para normatizar e estabelecer padrões mínimos para o funcionamento de serviços públicos e privados de atenção às pessoas com transtornos decorrentes do uso de drogas. Expõe exigências mínimas para o funcionamento dessas instituições, denominadas de comunidades terapêuticas e dá prazo de dois anos para que as que já existem adaptem-se às normas (portanto, até 2003).

A quem se aplica
As normas se aplicam a qualquer pessoa física ou jurídica, de direito privado ou público, envolvida direta ou indiretamente na atenção a indivíduos com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, sejam elas quais forem. Esses responsáveis, podem ser, portanto, uma empresa - um hospital, por exemplo, público ou privado - ou uma pessoa - um médico, um religioso ou qualquer outro interessado em responsabilizar-se pela instituição. Assim, não vale dizer que só os espaços públicos têm que seguir a regra: todos que se proponham a prestar esse tipo de tratamento estão sujeitos ao que determina a Resolução. E mais: uma pessoa deve designar-se como responsável técnica pelo estabelecimento e deve ter curso superior completo na área de saúde ou da assistência social.

Penalidades
Tratando-se de uma Resolução - e não propriamente de uma lei - quem não cumpre as regras é penalizado de acordo com o que determina a Lei 6.437, de 20 de agosto de1977, pois não agiu de acordo com o determinado pela Vigilância Sanitária e, portanto, incorreu no que é chamado de "infração sanitária". A Vigilância se atribui a obrigação, inclusive, de fiscalizar essas instituições anualmente (para o que requer livre acesso às instalações). Está escrito no texto da Resolução. Se essa meta puder ser cumprida, isso significa que as entidades deverão manter também em ordem a documentação relacionada às licenças de funcionamento, prontuários de pacientes etc., pois qualquer irregularidade poderá significar infração.

O que são as comunidades terapêuticas
De acordo com o texto da Resolução, as comunidades terapêuticas são lugares onde se internam - em regime de residência ou por turnos - pessoas que precisem de serviços de suporte e terapia por uso ou abuso de substâncias psicoativas. Nesses locais, "o principal instrumento terapêutico é a convivência entre os pares", diferenciando o tipo de tratamento aplicado ali ao de uma psicoterapia individual, por exemplo, ou do oferecido num hospital geral. Na comunidade terapêutica, o interno convive com outras pessoas que estão nas mesmas condições que ele e com quem pode trocar experiências.

Avaliação
No momento da internação, o paciente deve ser avaliado segundo uma série de critérios descritos na Resolução e classificado de acordo com a gravidade de seu estado (muito dependente da droga e com grandes comprometimentos), com a sua motivação para se tratar de acordo com os danos que a droga já provocou em seu organismo e em sua mente. Além disso, o avaliador deve verificar quais são as condições familiares. Essa avaliação necessariamente tem que ser feita conforme os critérios descritos na Resolução e todos os dados registrados num relatório.

Quem pode se internar?
As comunidades terapêutica não podem recusar-se a atender uma pessoa pelo fato de que ela apresenta, além da dependência de drogas, alguma outra doença associada. Também não pode "escolher" tratar apenas um dos mais comprometidos ou apenas daqueles cujo comprometimento pelo uso de substâncias psicoativas ainda não é tão grave. Após uma avaliação diagnóstica, química e psiquiátrica, os resultados têm de ser anotados numa ficha de admissão. Quem apresenta comprometimento grave do organismo ou da psique deve, necessariamente encaminhado para um serviço especializado, ou seja, ao um hospital ou unidade de terapia intensiva, que possa cuidar de reverter os danos ao corpo, e/ou a um hospital psiquiátrico.
Crenças religiosas ou ideológicas também não são motivos para recusa da internação. Da mesma forma, ninguém pode ser ou permanecer internado contra a vontade nesse tipo de instituição - a menos que encaminhada por um mandado judicial - e todos os pacientes têm o direito de interromper o tratamento no momento que desejarem, exceto se estiverem em risco de vida (por intoxicação ou ameaça de suicídio, por exemplo) ou pondo em risco a vida de outros.

Regulamento Interno
Ao admitir um paciente, a instituição deve expor a ele e a seus familiares sobre suas normas de funcionamento, regime de internação e proposta de tratamento, já com uma previsão do tempo previsto para sua conclusão. Toda a rotina do horário de despertar, atendimento individual ou grupal, programas educacionais, etc., deve ser entregue por escrito. As atividades obrigatórias e opcionais, os critérios de alta e de acompanhamento após a alta também devem ficar bem claros nesse documento e o paciente ou responsável assinará um termo de concordância com o regulamento.

Instalações e Capacidade
As comunidades terapêuticas devem ter capacidade máxima de alojamento para 60 residentes, alocados em, no máximo duas unidades. Isso vale para instituições criadas a partir da data da Resolução. As que existiam anteriormente podem ter até 90 moradores em no máximo três unidades. As comunidades que também prestam atendimento médico devem estar de acordo com a legislação (e licenças de funcionamento) específicas. A Resolução faz uma sugestão das instalações ideais.

Medicamentos
Algumas vezes, é admitido um interno que já utiliza algum tipo de medicamento de venda controlada (psiquiátrico ou para tratamento de qualquer doença). A direção da comunidade terapêutica deve responsabilizar-se, nesses casos, pela guarda e administração do medicamento ao paciente. Nos casos em que a comunidade também presta atendimento médico de desintoxicação - em que, muitas vezes, são utilizadas substâncias psicoativas semelhantes ás drogas de abuso e que podem, portanto, provocar dependência quando usadas sem controle, a instituição deve ter licença de funcionamento específica e submeter-se a regulamento técnico próprio do Ministério da Saúde.

Direitos do Paciente
A Resolução da Anvisa descreve que todo paciente, durante a internação na comunidade terapêutica, tem direito:
- a exercer sua cidadania (votar, por exemplo)
- ao sigilo sobre suas condições clínicas e psíquicas
- a cuidados com sua segurança
- a alojamentos e higiene adequados
- a receber alimentação nutritiva
- a estar livre de castigos físicos, psíquicos ou morais
- ao livre exercício de sua espiritualidade
- ao cumprimento de recomendações médicas
- a ser encaminhado para outros serviços quando a comunidade não for capaz de resolver intercorrências
- a receber seus medicamentos de acordo com a prescrição médica
Revista Droga e Família - Órgão Oficial da Abrafam - Associação Brasileira de Apoio às Famílias de Drogadependentes

Tratamento para dependentes químicos

Cada vez mais, governos e sociedades em todo o mundo concluem que a prioridade é desintoxicar, tratar e auxiliar os dependentes químicos a voltarem ao convívio social.
Entretanto, além das dificuldades de recuperação dos dependentes químicos, especialmente aqueles viciados em crack, o Brasil convive hoje com uma rede de tratamento para dependentes químicos pequena e precária e com profissionais pouco qualificados.
A complexidade do tratamento da dependência, doença crônica e grave, foi resumida no depoimento de Célio Luiz Barbosa, coordenador-geral dos Centros de Atendimento às Famílias da Fazenda da Paz na subcomissão do Senado.
“Tratar a dependência química não é apenas curar os efeitos que as drogas causam no indivíduo, é reorganizar o indivíduo por completo”, afirma.
O problema é agravado pela efetividade limitada das abordagens de tratamento para dependentes químicos, especialmente de cocaína e crack, discutidas pela comunidade científica e pela sociedade. “No caso das drogas, o primeiro mal que devemos evitar é proclamar que temos alguma arma melhor do que as outras, vender ilusões. Há décadas, se estudam e se buscam tratamentos eficazes. E, hoje, a eficácia de inúmeras abordagens é muito questionável”, afirma Roberto Kinoshita, coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde.
Como o vício atinge todos os aspectos da saúde e da vida do dependente, a psiquiatra Alessandra Diehl e seus colegas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) enfatizam que “o paciente apresentará necessidades múltiplas e o tratamento deve ser preparado para oferecer um amplo conjunto de intervenções personalizadas”.
Tratamento para dependentes químicos indisponível
Às dificuldades do tratamento para dependentes químicos em si, intensificadas muitas vezes pela falta de apoio de famílias desarticuladas, soma-se um sistema público de saúde particularmente desaparelhado para tratar a dependência química e as doenças mentais.
Parte da explicação se deve ao país estar atravessando uma fase de transição para um novo modelo de tratamento, inaugurado com a reforma psiquiátrica de 2001).
Os médicos, no entanto, acusam a desarticulação do modelo anterior, sem que nada seja oferecido em seu lugar. De acordo com parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil oferece 0,34% dos leitos que seriam necessários para sua população.
Outro problema detectado é a falta de preparo dos médicos para lidar com o dependente químico.
Para suprir essa carência, as comunidades terapêuticas, instituições privadas disseminadas por todo o mundo que oferecem especialmente tratamento para dependentes químicos, estão abrigando a maior parte dos pacientes em tratamento.
O problema, nesse caso, é a falta de regulamentação dessa atividade e, também, de apoio público às entidades que realizam um trabalho em acordo com as mínimas diretrizes e padrões legais.

Gostaria de saber quais os tipos de tratamentos para dependentes químicos?

Os principais tipos de tratamento disponíveis para dependência química são: médico; psicológico; grupos de auto-ajuda (como "Alcoólicos Anônimos" e "Narcóticos Anônimos"); e comunidades terapêuticas. Alguns pacientes se beneficiam mais de um determinado modelo de tratamento do que outros. Não existe uma forma de tratamento que seja universalmente a melhor. Um mesmo indivíduo pode tentar diferentes caminhos até encontrar o mais eficaz para si. De qualquer forma, a capacitação técnica dos profissionais envolvidos é essencial para obter-se resultados positivos. Os tratamentos que têm se mostrado mais eficazes, na maior parte dos casos, são aqueles que utilizam abordagens multiprofissionais.

Veja agora como é cada um deles:

Grupo de auto ajuda

Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA) são grupos de ajuda mútua formados por voluntários. Homens e mulheres dependentes de drogas se reúnem para discutirem seus problemas, dificuldades e sucessos. Os AA e outros movimentos (NA inclusive) tratam o alcoolismo e outras dependências baseando-se no princípio dos 12 passos. Um dos princípios mais valorizados por estes grupos é o anonimato. O serviço é gratuito.

Médico

Geralmente o médico procurado pelas pessoas que sofrem de problemas com álcool e outras drogas é um psiquiatra. Você pode perguntar: Psiquiatra? Um dependente então é louco? A resposta é muito simples. Muitas vezes o dependente de drogas sofre também de doenças psiquiátricas como: depressão, transtorno de ansiedade (fobia e pânico, por exemplo), hiperatividade... O psiquiatra é então o médico mais indicado para tratar dessas doenças. Inclusive, o tratamento destas ajuda muito na recuperação do dependente. A atuação dele também é focada nas questões gerais de saúde. Solicita exames, prescreve medicações, trata dos sintomas (exemplo), encaminha para outras especialidade, acompanha o desenvolvimento, etc.

Psicológico

O psicólogo trabalha mais as questões relacionadas ao comportamento, às emoções, à motivação, aos relacionamentos sociais (trabalho, casamento, família, amigos) e em como cada um desses aspectos relaciona-se com o uso de substâncias. Ele tem um papel fundamental no sentido de auxiliar a pessoa a encontrar alternativas para lidar com a vida sem drogas. Cabe também a esta especialidade a terapia familiar, geralmente conduzida por outro profissional da equipe que não aquele que atua diretamente com o paciente.

Orientação e Terapia familiar

Este tipo de intervenção muitas vezes é indispensável. Ela ajuda os familiares a reavaliarem sua postura frente a pessoa dependente química. Além disso, é uma forma dos familiares receberem apoio e amparo.

Internação em Pronto Socorro

Está é recomendada nos momentos de intoxicação, agressividade e na síndrome de abstinência. Essa internação é em geral de no máximo 24 horas, podendo ser prolongada caso seja avaliada a necessidade de internação para tratamento dos sintomas da síndrome de abstinência, da dependência ou de outras doenças relacionadas.

Internação em Hospital

Muitas pessoas (pacientes, familiares e mesmo profissionais de saúde) acreditam que a internação é o melhor ou o único tratamento, e que o paciente estará curado ao receber alta. Isso não é verdade. A internação é apenas uma parte do tratamento que pode até não ser necessária. Basicamente, os resultados de uma internação são a melhoria das condições gerais de saúde do paciente (alimentação, sono, etc.), a desintoxicação com supervisão médica, e a aplicação de medicamentos para alívio dos sintomas da síndrome de abstinência. Desintoxicar significa eliminar a droga do organismo e não remover a dependência. A internação é uma opção bastante adequada nas seguintes circunstâncias: a) quando existe o risco da suspensão do uso da substância gerar uma síndrome de abstinência grave; b) quando a pessoa deseja ser internada; c) quando o uso de substâncias está associado a sintomas psiquiátricos, tais como psicoses, agitações intensas, comportamentos agressivos ou risco de suicídio.

Tratamento Ambulatorial

Neste a pessoa fica em casa, medicado para alívio e controle dos sintomas de abstinência (quando necessário), mantém suas atividades, e faz visitas freqüentes a um ambulatório especializado para acompanhamento terapêutico, no qual ela tem consultas com o médico e com o psicólogo. A grande vantagem deste tipo de acompanhamento é que a pessoa continua em seu ambiente social, sem interromper suas atividades (sendo necessário um período de readaptação) e têm chances de experimentar e enfrentar as situações de risco e as "fissuras" no seu cotidiano.

Internação em Comunidade Terapêutica

Geralmente é um lugar (uma fazenda ou um sitio) onde as pessoa ficam internadas por vários meses (de três a nove). A recuperação baseia-se no trabalho, na religião e em grupos de auto-ajuda. O problema deste tipo de intervenção é similar ao da internação, a pessoa fica isolada de sua vida cotidiana e tem grandes chances de recair ao sair e enfrentar a realidade de sua vida.

O tratamento mais indicado surge após algumas conversas e tentativas, e envolve a participação do dependente, da família e da equipe de profissionais responsável.

Dependência Química


A dependência química ou física é uma condição orgânica que nasce da utilização constante de certas drogas psicoativas, as quais consequentemente provocam o aparecimento de sintomas que envolvem especialmente o Sistema Nervoso Central, o qual se torna dependente de uma dada substância, sofrendo assim os efeitos de uma abstinência repentina e prolongada. O uso abusivo do álcool, de drogas consideradas ilegais e da nicotina pode gerar esta reação corporal.
A dependência é distinta do vício, que leva o usuário ao consumo excessivo e compulsivo da droga, gerando uma conexão psíquica mais profunda, uma ligação patológica com as substâncias utilizadas. Mas a sujeição química também é uma enfermidade, que exige tratamento eficaz e muitas vezes urgente.
Pode-se reconhecer este quadro através da observação de diversos sintomas, entre eles a carência de ampliar a dose habitual para se conquistar repetidamente o efeito desejado; ansiedade, irritação, incapacidade de dormir normalmente ou tremedeira, sensações desencadeadas pela tentativa de se abster da droga; consumo cada vez maior ou por mais tempo do que a pessoa havia planejado; necessidade contínua de reduzir ou dominar a utilização da droga ou experiências frustradas neste sentido; amplo dispêndio temporal com tentativas de conquistar e ingerir as substâncias almejadas, ou com a cura de suas consequências; deixar de lado as antigas ocupações sociais e culturais em prol do uso da droga; consumo constante, sem controle, da química de que a pessoa se tornou dependente.
Infelizmente os casos de dependência química vêm crescendo velozmente, constituindo hoje uma das enfermidades psíquicas mais constantes. Apenas a ingestão de cocaína decresceu na última década, mas ao mesmo tempo o número de dependentes do crack tornou-se mais amplo, pois esta droga chega mais rapidamente e de forma mais impactante ao Sistema Nervoso Central. As consequências são também mais drásticas e a dependência mais séria e difícil de sanar.
Não é fácil tratar esta doença, pois as reincidências são altas, praticamente metade dos usuários tem uma recaída nos primeiros seis meses e 90% no primeiro ano. Porém, já que ela é classificada como uma enfermidade de natureza crônica, estes números são previsíveis e não indicam a impossibilidade do tratamento. O mais importante é o paciente se sentir estimulado para seguir adiante no processo de recuperação, mobilizar o poder da sua vontade. Ele deve estar preparado para enfrentar os inevitáveis sinais da abstinência, entre eles o aumento da frequência cardíaca e/ou da pressão arterial; suor excessivo; corpo trêmulo e, em estágios mais avançados, ele pode apresentar confusão mental, estados alucinatórios e convulsões.
O dependente será diagnosticado e tratado conforme a droga que ele estiver consumindo, mas normalmente é necessário administrar outro elemento químico ou medicamento, para suprir a retirada repentina da substância habitualmente ingerida. A eficácia de alguns remédios foi testada e demonstrada, assim já é possível alcançar bons resultados no tratamento da dependência do álcool e da nicotina; mas as outras drogas não encontraram ainda um adversário à altura da devastação provocada por elas no organismo humano.
A adoção da psicoterapia também é fundamental na recuperação do paciente. A linha que tem alcançado maiores resultados é a cognitivo-comportamental, que foca especialmente nos quadros de consumo e de abstinência das drogas, procurando despertar no dependente químico condições para que ele se previna de contextos que o levem a recair na ingestão de substâncias químicas que induzem à dependência. É importante igualmente recorrer ao auxílio de órgãos próprios para cada caso, como o Alcoólatras ou Narcóticos Anônimos, até mesmo para a orientação dos próprios familiares. Internar o paciente só é recomendado em contextos mais radicais, como a possibilidade da ocorrência de suicídios, estados de agressividade, psicose e total perda de controle no consumo da droga.

Em nenhum momento pode-se afirmar que o dependente está curado, pois ele sempre trará em si a potencial recaída, que só será evitada se o paciente se abstiver da droga pelo resto de sua existência. Há perspectivas de que, futuramente, a ciência desenvolva remédios mais apropriados para cada situação de dependência; vacinas contra o uso da cocaína e da nicotina têm sido testadas em cobaias humanas. É importante igualmente ter consciência de que alguns medicamentos, os quais só podem ser consumidos por orientação médica, também podem provocar dependência.

O que é Dependência química?

A dependência química é definida pela 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de determinada substância. A dependência pode dizer respeito a uma substância psicoativa específica (por exemplo, o fumo, o álcool ou a cocaína), a uma categoria de substâncias psicoativas (por exemplo, substâncias opiáceas) ou a um conjunto mais vasto de substâncias farmacologicamente diferentes.

Causas
A dependência química é uma doença crônica e multifatorial, isso significa que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequência de uso da substância, a condição de saúde do indivíduo e fatores genéticos, psicossociais e ambientais.
Muitos estudos buscam identificar características que predispõe um indivíduo a um maior risco de desenvolver abuso ou dependência. Em relação ao álcool, por exemplo, estima-se que os fatores genéticos expliquem cerca de 50% das vulnerabilidades que levam o indivíduo a fazer uso pesado de álcool - principalmente genes que estariam envolvidos no metabolismo do álcool e/ou na sensibilidade aos efeitos dessa substância, sendo que filhos de alcoolistas possuem quatro vezes mais riscos de desenvolverem alcoolismo, mesmo se forem criados por indivíduos não-alcoolistas. Além disso, fatores individuais e aspectos do beber fazem com que mulheres, jovens e idosos sejam mais vulneráveis aos efeitos das bebidas alcoólicas, o que o colocam em maior risco de desenvolvimento de problemas.
Fatores de risco
Determinadas características ou situações podem aumentar ou diminuir a probabilidade de surgimento e/ou agravamento de problemas com o álcool e outras drogas. Essas situações são conhecidas como fatores de risco e proteção.
No entanto, os fatores de risco não são necessariamente iguais a todos os indivíduos e podem variar conforme a personalidade, a fase do desenvolvimento e o ambiente em que estão inseridos. Entre eles, pode-se destacar:
Fatores de risco: genética, transtornos psiquiátricos (ex: transtornos de conduta), falta de monitoramento dos pais, disponibilidade do álcool
Fatores protetores: religião, controle da impulsividade, supervisão dos pais, bom desempenho acadêmico, políticas sobre drogas.
Sintomas de Dependência química
Alguns dos sintomas da dependência química são:
Desejo incontrolável de usar a substância
Perda de controle (não conseguir parar depois de ter começado)
Aumento da tolerância (necessidade de doses maiores para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância)
Sintomas de abstinência:
Sudorese
Tremores
Ansiedade quando a pessoa está sob efeito da droga
Buscando ajuda médica
É importante que o indivíduo com dependência química procure ajuda com profissionais da saúde quando ocorrem situações nas quais a substância está influenciando negativamente a saúde física e/ou rotina, funções acadêmicas e/ou profissionais e as relações pessoais.
Diagnóstico de Dependência química
Os critérios do “Manual Estatístico e Mental de Transtornos Mentais” (4ª edição; DSM-IV), da Associação Americana de Psiquiatria, e “Classificação Internacional de Doenças” (10ª edição; CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS) são os mais comumente empregados para o diagnóstico dos transtornos relacionados ao uso de substâncias.
Variados questionários de autopreenchimento (tais como ASSIST, CAGE, AUDIT) e testes sanguíneos também têm sido empregados, em contexto clínico, com tais fins, mas não podem ser considerados como substitutos de uma cuidadosa entrevista clínica. Existem ainda alguns exames (marcadores biológicos) que são indicadores fisiológicos da exposição ou ingestão de drogas, e podem auxiliar no diagnóstico e no tratamento.
No caso do álcool, por exemplo, é possível citar o alanina aminotransferase (ALT), volume corpuscular médio (VCM) e o gama-glutamiltransferase (GGT). É importante também realizar um exame físico e atentar-se a sinais e sintomas que podem auxiliar na identificação do problema, como por exemplo sintomas de abstinência, hipertensão leve e flutuante, infecções de repetição, arritmias cardíacas não explicadas, cirrose, hepatite sem causa definida, pancreatite, entre outras.
Quando o paciente é diagnosticado, é importante que além do tratamento para a dependência química, o indivíduo também tenha acompanhamento clínico para garantir a melhora de sua saúde como um todo.
Tratamento de Dependência química
O tipo de ajuda mais adequado para cada pessoa depende de suas características pessoais, da quantidade e padrão de uso de substâncias e se já apresenta problemas de ordem emocional, física ou interpessoal decorrentes desse uso.
A avaliação do paciente pode envolver diversos profissionais da saúde, como médicos clínicos e psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, assistentes sociais e enfermeiros. Quando diagnosticada, a dependência química deve contar com acompanhamento a médio-longo prazo para assegurar o sucesso do tratamento, que varia de acordo com a progressão e gravidade da doença.
Convivendo/ Prognóstico
A dependência química geralmente representa um impacto profundo em diversos aspectos da vida do indivíduo e também daqueles que estão ao seu redor. Dada a sua complexidade, é interessante que os programas de tratamento sejam multidisciplinares para atender às diversas necessidades do paciente (aspectos sociais, psicológicos, profissionais e até jurídicas, conforme demonstrado em diversos estudos), sendo mais eficaz na alteração dos padrões de comportamentos que o levam ao uso da substância, assim como seus processos cognitivos e funcionamento social.
Para manter-se livre das drogas, o indivíduo terá que realizar uma série de mudanças em seu estilo de vida. Por exemplo, evitar locais e situações que sejam associados ao uso, (re)aprender “fontes de prazer” que não as que estejam relacionadas ao consumo – geralmente, pessoas com problemas com drogas afastam-se todas as formas de lazer, hobbies, relacionamentos, etc, e retomar a uma vida “careta” pode ser uma das tarefas mais difíceis no processo de recuperação.
Expectativas
Não podemos afirmar que há uma cura para a dependência química. Ela é uma doença crônica, assim como diabetes e hipertensão, porém, totalmente passível de tratamento. Vale ressaltar que além de cessar o consumo, um tratamento eficaz é aquele que consegue auxiliar o indivíduo a retomar o funcionamento produtivo na família, no trabalho, na sociedade e no trabalho.
De acordo com o National Institute on Drug Abuse (NIDA), estima-se que cerca de 40 a 60% dos pacientes tem recaídas – números bem próximos de outras doenças crônicas, como a hipertensão (50 a 70%) e a asma (50 a 70%). Ainda, é importante frisar que a recaída é parte do processo terapêutico e indica que o tratamento deve ser revisto e ajustado.
Prevenção
Em se tratando da prevenção de problemas relacionados as drogas, é de vital importância que estratégias de prevenção sobre a questão sejam desenvolvidas, incorporando abordagens baseadas em evidências culturalmente apropriadas, com prioridade para gestantes, jovens, menores de idade e outras populações vulneráveis.
Não existe um modelo ideal e único de programa, e sim diferentes possibilidades de abordar estas questões. O que se percebe é que terão mais sucesso as ações que contemplam abordagens multidisciplinares, ou seja, trabalho e estudo de profissionais de diversas áreas e especialidades.
Em relação à prevenção de novas recaídas, sugere-se que o paciente mantenha sempre o acompanhamento com profissionais especializados e que sempre avaliem a proposta terapêutica, verificando a necessidade de ajustes. Ainda, participar de sessões de psicoterapia (principalmente com abordagens comportamentais) podem oferecer estratégias para que o indivíduo consiga lidar com situações de alto risco ou forte desejo de consumir a substancia, além de maneiras de evitar e prevenir recaídas.

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Tratamento para dependentes químicos em São Paulo




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